Proposta 1: Memória descritiva

Nesta primeira proposta, tive como objetivo principal utilizar os elementos básicos de comunicação visual numa composição gráfica. Para tal tive de reconhecer cada elemento: “Os elementos visuais constituem a substância básica daquilo que vemos, e o seu número é reduzido: o ponto, a linha, a forma, a direção, o tom, a cor, a textura, a dimensão, a escala e o movimento.”(DONDIS, 1991).   Antes de colocar em prática o meu objetivo, tive de entender  que “para analisar e compreender a estrutura total de uma linguagem visual, é conveniente concentrar-se nos elementos visuais individuais, um por um, para o conhecimento mais aprofundado das suas qualidades especificas”(DONDIS, 1991). Assim sendo, analisei cada elemento visual e pesquisei a sua aplicação na arte, recolhendo imagens. A realização da proposta foi desafiante e original, pois foi-nos sugerida a escolha de uma música e sucessiva representação visual através dos elementos básicos já referidos.  É necessária uma dose de sensibilidade e imaginação para conseguir exprimir ,através de uma imagem, algo que não é físico, tal como a melodia e a sensação que a música nos provoca. A letra da música também foi algo que me inspirou, pois esta conta uma história e contém palavras-chave que podem ser objetos representados na composição gráfica.

A música escolhida foi a “Black and Gold” do Sam Sparro, pois além de gostar da melodia, também encontrei uma história na letra que facilmente se representou na minha mente e que podia ser transcrita para a composição gráfica. Através da letra da música, “cause if you’re not really here
then i don’t want to be either”, imaginei alguém que sente que mais nada importa se a pessoa de quem gosta, não estiver com ela, e que tudo que a rodeia, como a natureza e a cidade, não fazem sentido. É de reparar também nesta parte da letra: ” and the stars fell out of the sky, and my tears rolled into the ocean
now i’m looking for a reason why”, onde encontrei elementos que se poderiam encaixar também na minha composição, como estrelas a cair do céu e lágrimas derramadas que formariam o mar, visto que a batida da música também me faz lembrar as ondas.

Antes de proceder à total representação do que idealizei, decidi efetuar o trabalho por etapas. Inicialmente foquei-me no ponto, começando por representar um precipício através de pontos grandes. Rumei para o elemento seguinte, a linha, que pode ser usada de variadas formas, longa ou curta, estreita ou larga, colorida ou não, aberta ou fechada, curva, reta, quebrada ou mista. A linha, maioritariamente utilizada na minha composição, «(…) tem, por sua natureza própria, uma enorme energia (…)» (DONDIS, 1991). Utilizei-a, inspirando-me em algumas imagens, para representar a forma humana, que para conseguir dar a ideia de leveza e sensibilidade necessitou de ser uma linha curva, tal como as lágrimas. Já as linhas utilizadas para representar a cidade, foram retas para dar a ideia de industrialização e falta de sentimento. Também utilizei linhas para representar raios solares em volta da forma humana, que é a central. A linha descreve uma forma, “na linguagem das artes visuais, a linha articula a complexidade da forma. Existem três formas básicas: o quadrado, o círculo e o triângulo equilátero. Cada uma das formas básicas tem suas características especificas, e a cada uma se atribui uma grande quantidade de significados”(DONDIS, 1991).   Na minha composição utilizei maioritariamente o círculo, que é associado a “infinitude, calidez, proteção”(DONDIS, 1991).   Através de um conjunto de círculos representei o mar. Também podemos associar à forma triangular, as estrelas que estão representadas dentro dos raios solares, todos elementos associados ao céu.

É conjuntamente de referir que a direção é de extrema importância, pois vai orientar o local que queremos focar, neste caso orientei a direção das linhas para a parte central, que é a forma humana.  O tom é identicamente importante, pois “as variações de luz ou de tom são os meios pelos quais distinguimos opticamente a complexidade da informação visual do ambiente”(DONDIS, 1991).   Nas estrelas representadas existiu uma gradação de cor, conforme se iam aproximando da figura humana.

A cor é o elemento talvez mais apelativo numa composição gráfica, cada cor “representa qualidades fundamentais” (DONDIS, 1991).   Primeiramente, tinha o objetivo literal de usar apenas preto e dourado para a minha composição devido ao título da música, mas senti a necessidade de utilizar outras cores, pois não senti que a composição estivesse completa, sendo assim, no Adobe Illustrator utilizei a paleta de cores associada à natureza, mais especificamente à praia, pois na composição possuo elementos na natureza, como o mar., «A cor está impregnada de informação (…) e é uma das mais penetrantes experiências visuais (…)» (DONIS, 1991), por isso nesta proposta de trabalho utilizei cores claras e suaves para se fundirem com a leveza da forma humana e também utilizei o preto, cor que é neutra e  representa a  força e  elegância, algo também quis associar à forma humana e à história que imaginei.

Relativamente à escala, só podemos efetuar observações se nos remetermos à cidade, mais especificamente aos retângulos que utilizei para representar prédios, ou então ao tamanho das estrelas e das lágrimas, que vão mudando de tamanho conforme a aproximação do mar ou da forma humana.

O movimento também foi importante nesta composição gráfica, pois quis dar a ideia que a forma humana estava a saltar do precipício com leveza, sendo que o salto foi  quase como que uma libertação da mágoa que estava sentir, a mágoa de não ter quem queria a seu lado.

Concluo que com este trabalho, consegui dar “asas à minha imaginação” e que existe mais complexidade nos elementos básicos de comunicação do que um olhar distante consegue ver, existe muito mais para além do que está “no papel”, existem muitos significados e simbologias, quer nas formas como na cor.  Também aprendi que é necessário um processo de experimentação e não uma criação estática, pois as ideias vão mudando ao longo do tempo e nem sempre conseguimos representar à primeira o que temos idealizado.

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